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Chefes de Escola e Líderes de Equipe: Guias da nossa Reabilitação Social

Desde que enfrentamos o mundo pela primeira vez, recebemos todos os tipos de estímulos que vão formando nossa personalidade, nossa maneira de pensar, agir. Hoje mm dia, boa parte dos estímulos que recebemos são determinados pela sociedade em que vivemos; para o que ela considera que é positivo que recebamos e de que forma particular devemos receber, em virtude de aportar ao que por anos temos chamado de “bem comum”.

Dentro dos conceitos de definiram o comportamento de gerações passadas, e que através dos tempos nos foi passado, existe um fundamental que quería aprofundar: o protecionismo intelectual.

Quando falo de protecionismo intelectual me refiro simplesmente ao extremo cuidado que tem tido a sociedade para nos proteger de alguns estímulos que poderiam ser perigosos para nosso desenvolvimento pessoal, ou para o desenvolvimento da sociedade em seu conjunto, como os “sábios” antigos definiram que devia ser essa sociedade, e que nós de maneira tão cômoda temos aceitado. É impressionante como de pouco vão nos convencendo inconscientemente que não estamos preparados para conhecer nem aceitar certas verdades.

Provavelmente se esta forma de se comportar da sociedade atual não estivesse sujeita a necessidade de assegurar o “bem-estar” de alguns a custa de outros, não seria tão relevante questionar. Mas desde o momento em que nos demos conta de que tudo isso que temos aceitado tem provocado que se tenha marginalizado e esquecido um setor da sociedade, o qual sem voz nem voto, tem sido destinado a vive sem condições que claramente nós não aceitaríamos como próprias; é nossa obrigação questionar o modelo social, econômico e político que nos foi imposto e trabalhar sem descanso para mudar-lo através de um conhecimento acabado das razões de fundo que provocam essa realidade.

Para chegar a ter esse conhecimento de que estamos falando é fundamental recuperar o “outro” conhecimento que se perdeu quando se decidiu marginalizar da sociedade um setor que não compartilhava as crenças e costumes que deviam liderar o caminho para o desenvolvimento globalizado. Nos assentamento em que trabalhamos semana a semana, encontra-se um conhecimento do qual somos totalmente ignorantes. Há um entendimento da realidade que não se encontra na maioria das salas de aulas ou dos livros.
Devemos ser experts nesse tema e como alguma vez disse Alberto Hurtado, “ser a voz dos sem-voz”. Mas ir mais adiante, ao ponto em que já não tenhamos que ser, e sim que se dê a eles o espaço que merecem dentro dessa sociedade e, que com SUA própria voz, possam dizer o que lhes foi negado por tanto tempo.

É nossa vez de educar as gerações pasadas sobre o que eles se negaram a conhecer, sobretudo aquilo que lhes foi escondido e por consequencia, encondidos de nós. Grande parte dessa educação que devem receber se encontra dentro de todos aqueles que jamais tem sido escutados: os que tem sidoiognorados durante séculos, por ignorantes que argumentam a ignorância dos “outros” para justificar aquele que não leva em consideração sua opinião. Há uma mensagem que nos querem transmitir, que pouco a pouco vamos processando dentro de nós e que agora é nosso dever compartilhar.

Agora, para conseguir isso necessitamos adquirir conhecimento a um nível de profundidade suficiente para levar, com convicção e argumentos sólidos, ao círculo da sociedade que nos cabe desenvolvermo-nos diariamente. Como conseguimos isso? Através da formação.

Essa formação deve ser pessoal e requer um processo. Há coisas que naturalmente assimilamos sem maior esforço, como outras que devemos experimentar e aprofundar várias vezes para internalizá-las realmente, compreender-las e fazê-las parte de nossas vidas. Nisso está a importância do encontro com as comunidades e as famílias que as habitam. É uma experiência que nos permite nos relacionarmos de igual para igual, realizar um trabalho em conjunto que nos une e finalmente nos permite receber este conhecimento da maneira mais completa possível.

O desafio real está em conseguir que se de esse processo pessoal em um projeto que se baseia na massividade. Quando falamos de milhares de voluntários vivendo uma mesma experiência, o momento mais íntimo com a realidade do assentamento é o momento em que 8 ou 10 estarão construindo mão a mão com a família ou quando 50 ou 100 refletem na escola compartilhando o experimentado durante a construção.

Este momento é chave já que representa o começo de um vínculo que será a base de uma reabilitação social. Não uma reabilitação das famílias que vivem em extrema pobreza, mas de uma sociedade que tem segregado os mais pobres, provocando uma das maiores e mais perigosas enfermidades que pode afetar uma sociedade: a indiferença.

Essa é a razão fundamental do porque os chefes de escola ou de equipe devem estar em uma etapa avançada do processo formativo que nos entrega o encontro com as famílias dos assentamentos, havendo internalizado isso profundamente, para poder guiar de forma adequada a experiência dos voluntários que estão sob seu cargo e conseguir que experimentem este encontro com a naturalidade que lhes levou a entender. Desde o momento em que não colocamos especial cuidado na eleição dos voluntários que assumirão essa responsabilidade, transformamos a construção em uma experiência superficial e divertida que dará uma nova moradia a uma família que necessita, mas estará muito longe de produzir uma mudança social verdadeira.

Agustín Wolf
Diretor Regional da América Central